Quinteto Radamés

Uma homenagem ao pianista e compositor gaúcho - Radamés Gnattali.

Projeto de Henrique Cazes de recriação do famoso Quinteto de Radamés Gnattali: ele ao piano, Luciano Perrone na bateria, Pedro Vidal Ramos no contrabaixo, Zé Menezes na guitarra e Chiquinho do Acordeon.
Este Novo Quinteto é formado por Maria Teresa Madeira, piano; Marcos Nimrichter, acordeon; Omar Cavalheiro, contrabaixo; Oscar Bolão, bateria, e Henrique Cazes na guitarra.

"Além de grande pianista, compositor inspirado e original, Radamés Gnattali (Porto Alegre 1906/Rio 1988) foi o arranjador que modernizou a música brasileira, atuando com incrível produtividade. Para produzir tanto e com tanta qualidade, precisou armar uma equipe de craques.
O colaborador de primeira hora foi Luciano Perrone, baterista que conheceu em Lambari em 1929 e que esteve sempre ao seu lado, tocando e dando sugestões importantes na rítmica das orquestrações. Pedro Vidal Ramos era um contrabaixista sóbrio e extremamente concentrado. A âncora perfeita para que piano e bateria pudessem se soltar. Já o Zé Menezes, virtuose das cordas,  começou sua colaboração em 1947 na Rádio Nacional e depois na gravadora Continental. A partir de 1953, o quarteto passou a Quinteto Radamés Gnattali, com a inclusão do acordeom de Chiquinho.
Dai em diante esse grupo foi pau pra toda obra, muitas gravações e inúmeros programas de rádio. Foi com o Quinteto que Radamés desenvolveu um tipo de música popular de câmera, como bem definiu seu sobrinho maestro Roberto.
Em 1960, tendo a irmã Aída Gnattali no outro piano, o quinteto virou sexteto e arrasou na Europa. Depois disso e já com algumas alterações, o grupo atuou em disco nos anos 1970 e em shows no ano de 1985, na comemoração antecipada dos 80 anos do maestro.
Pouco antes de morrer em 1993, Chiquinho, que era o arquivista do grupo, pediu que entregassem a mim as partituras do Quinteto, sugerindo que eu levasse o projeto adiante. 
A questão era achar quem se dispusesse a estudar o estilo, a aprender a tocar de um jeito de outra época.
Aos poucos a equipe foi sendo formada. A escolha mais simples foi a de Oscar Bolão, discípulo e continuador do estilo de bateria brasileira  de Luciano. O som encorpado e sóbrio de Vidal apontou para Omar Cavalheiro, companheiro de outras empreitadas. Para manter o fraseado elegante característico do Chiquinho, o acordeom foi entregue a Marcos Nimrichter, pianista de primeira linha. Eu me escolhi para a guitarra pois não queria ficar fora dessa de jeito nenhum e faltava o piano.
A dificuldade nesse item vinha do fato de precisarmos de um pianista de boa técnica e muita bossa, afinal, Radamés escrevia para ele mesmo tocar. Maria Teresa Madeira foi convocada para essa missão de alta responsabilidade e, como vocês podem ouvir, está cada vez mais à vontade.
Assim formado, o Novo Quinteto estreou em 2000 e ao longo desses anos, fomos aprendendo mais e mais sobre esse jeito de fazer música, até chegar a hora de gravar.
O repertório escolhido para o disco exibe a versatilidade autoral do homenageado e algumas de suas maiores admirações na nossa música: Jacob do Bandolim, Tom Jobim e Pixinguinha. 
O som hi-fi, do quinteto nos remete ao charme dos anos dourados. Um Rio de Janeiro elegante e em festa. Perdemos muitas coisas de lá para cá, mas ainda temos o som do Novo Quinteto. Salve ele! Salve Radamés!"

- Henrique Cazes